Estudando áudio sem colocar o carro na frente dos bois

Vamos fazer uma analogia do aprendizado de áudio atual com a seguinte história que recebi hoje no grupo da família:

“Lutador de kung-fu reclama com o mestre que nunca consegue vencer.
O mestre então responde:
Filho, você já parou para ver as gaivotas ao por-do-sol?
Sim, mestre.
E o bicho da seda tecendo pacientemente seu casulo, já viu?
Sim mestre.
Já parou para escutar o ruído calmo das águas do pequeno riacho escorrendo sobre as pedras?
Sim, mestre!
Pois é, fica perdendo tempo com bobagem e não treina!!!! “

criança e seu mestre estudando kung fu e fazendo uma referencia ao áudio

Acho que isso ilustra bem um importante aspecto do áudio de hoje: É tanta informação, tanta dica, tanto macete, que as pessoas não focam no principal, que é fazer o básico.

Compressor, por exemplo, já foi um bicho de sete cabeças pros músicos, cantores e leigos, mas nunca pros profissionais de áudio. Hoje eles são encarados como coringas, como os detentores dos segredos do Universo. Do Yin e do Yang. Mas compressor era usado no tempo da fita basicamente pra manter as coisas longe do ruído de fundo – que era alto. O resto é efeito colateral (bom e ruim). Ou seja, a gente diminuía a faixa dinâmica e aumentava o volume de gravação. Na volta da fita, na hora da mix, abaixava o volume e com isso o ruído abaixava também.

Claro que a essa função básica se juntaram as outras todas – manter um canal mais audível na mix, diminuir os mascaramentos, moldar o timbre de instrumentos de percussão via attack e release, etc. Mas isso tudo são usos criativos muito bem-vindos que foram acrescentados à função principal.

Comece pelo começo

Hoje a pessoa fica preocupada com a topologia e a saturação. Se é feedback ou feedforward, se é VCA, opto, Vari-mu , FET, se colore ou não colore, se dá punch, se esquenta… Mas ajustar o threshold e a ratio que é bom, acaba ficando secundário.
O que posso dizer a você, prezado gafanhoto, é que é muito mais importante saber quando e como usar um compressor em sua função principal – diminuir a dinâmica. Depois que você ficar craque em ajustar o bicho apenas com threshold, ratio (ou input/output e gain reduction), depois que você perceber o que acontece quando aplica GR de 6dB no sinal, aí sim, com o treinamento feito, é hora de (talvez) se preocupar com outros aspectos e outras funções.

Pra concluir, deixo essa frase do DJ SUN TZU: conheça seu adversário.

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